Cientistas testam novas células para tratar a incontinência

Cientistas testam novas células para tratar a incontinência

Pode ser espoletada pela tosse, pelo riso, um espirro, levantar objetos ou fazer exercícios, por mais simples que sejam. A incontinência urinária é um problema que continua a afetar milhões de pessoas em todo o mundo, mas um estudo feito por cientistas brasileiros pode mudar a vida de quem sofre deste problema.

As estatísticas indicam que as mulheres são mais afetadas pela incontinência - provocada pelo enfraquecimento dos músculos e tecidos que fazem parte do sistema de libertação de urina. O parto, por exemplo, é uma das principais causas associadas, bem como o envelhecimento e a perda de massa muscular. A obesidade, o fumo e atividades de alto impacto também são fatores de risco.

E, para combater a incontinência por esforço, uma universidade brasileira e o Hospital Israelita Albert Einstein, em S. Paulo, estão a estudar a utilização de células estaminais, que servirão para reconstitiuir a musculatura da região.

mulher sentada na sanita

Este material foi obtido a partir da medula óssea ou de qualquer músculo do corpo das mulheres que se submeteram ao estudo. Rodrigo Castro, o cientista responsável pelo projeto, afirma que o maior desafio que encontrou foi alcançar um número suficiente de células, que significam mais hipóteses de tratamento. São necessárias 10 a 20 milhões de células, num processo que - entre a obtenção e processamento - pode demorar entre três e quatro semanas. Estima-se que a pesquisa estará concluída dentro de um ano.

Uma em cada três mulheres em todo o mundo é incontinente mas com as células estaminais, que têm a capacidade de se regenerar e originar diferentes tecidos, são feitas aplicações na região da uretra feminina. No total, há dez "cobaias" neste estudo.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, uma das voluntárias é Elza Gabaldi, de 58 anos e há três meses em acompanhamento. A mulher garante que já nota melhoras nas perdas involuntárias de urina e que o medo tomou conta dela, ao ponto de só usar roupas escuras e camisolas compridas. 

cientista estuda novas terapias

Os especialistas, no entanto, são mais cautelosos e ressalvam que este tratamento ainda está numa fase muito inicial, sendo necessário aguardar por resultados efetivos. Ainda assim, dizem que tendo em conta as melhorias já observadas, a terapia é realmente promissora. 

O objetivo é reconstituir colegéneo, musculatura lisa e vasos da região ds uretra. Com a melhoria dessas estruturas, aumenta-se a pressão e evita-se a incontinência. O investigador-chefe também não quer arriscar, e diz que este tratamento tem de ser tão eficiente como uma cirurgia minimamente invasiva.

A par da operação, podem também fazer-se exercícios para fortelecimento dos músculos na região e fisioterapia, no caso de ocorrências menos graves. A prevenção também é fundamental.

As mulheres que participam no estudo queixam-se apenas da dor no momento da recolha do material que dá origem às células tronco.

Ainda não são conhecidos os tecidos que oferecerão melhores resultados na recontrução da uretra - e há até relstos de células estaminais obtidas a partir de sangue menstrual.

O custo será, provavelmente, um obstáculo: trata-se de um tratamento novo, com utilização de tecnologia e práticas de ponta. Ainda estão também em observação as complicações que o processo possa trazer.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/09/cientistas-de-sp-testam-celulas-tronco-para-tratar-incontinencia-urinaria.shtml