As quedas constituem um dos acidentes domésticos mais frequentes entre os idosos e representam uma das principais causas de morte acidental nesta faixa etária. À medida que a idade avança, a capacidade de equilíbrio e controlo postural diminui, aumentando o risco de acidentes. Por isso, a queda no idoso é considerada um problema de saúde pública, com impacto significativo na qualidade de vida, mobilidade e independência dos afetados.
Principais causas das quedas em idosos
As quedas são um problema de saúde relevante entre os idosos e podem resultar de múltiplos fatores. O risco de queda aumenta significativamente com a idade, e estudos, como o Population based study of hospitalised fall related injuries in older people, confirmam que programas de atividade física e prevenção no ambiente doméstico podem reduzir esse risco.
1. Fatores fisiológicos
O risco de queda aumenta com a idade, embora nem todos os idosos caiam. Entre os fatores fisiológicos que aumentam o risco destacam-se:
- Idade superior a 65 anos;
- Histórico de quedas no último ano;
- Sedentarismo e falta de prática de atividade física;
- Uso de múltiplos medicamentos, especialmente psicotrópicos como benzodiazepinas, antidepressivos ou antipsicóticos;
- Alterações da visão (cataratas, visão reduzida);
- Doenças crónicas, como osteoporose ou diminuição da força muscular;
- Desequilíbrio frequente e alterações do andar.
A osteoporose, em particular, aumenta significativamente o risco de fraturas da anca e da coluna vertebral. Por isso, manter a prática de exercícios, uma alimentação equilibrada e acompanhamento médico regular são medidas fundamentais.
2. Fatores ambientais
Grande parte das quedas acontece dentro de casa. Assim, é essencial analisar o ambiente e reduzir riscos potenciais:
- Piso irregular ou escorregadio;
- Tapetes soltos ou sem fitas antiderrapantes;
- Mobiliário que obstrua caminhos;
- Falta de corrimãos em escadas ou casas de banho;
- Fraca iluminação, principalmente à noite;
- Degraus altos ou estreitos;
- Roupa e calçado inadequados.
3. Fatores comportamentais
Tanto os idosos muito ativos como os mais sedentários estão sujeitos a acidentes. Movimentos bruscos, andar apressado, subir em cadeiras instáveis ou realizar tarefas de risco aumentam a probabilidade de quedas. Desenvolver hábitos seguros é essencial para a prevenção.
O que fazer em caso de queda
Quando ocorre uma queda, a prioridade é garantir a segurança do idoso e evitar complicações adicionais. Siga estes passos:
- Avaliar estado de consciência – Verifique se o idoso está desperto e plenamente alerta;
- Verificar presença de dores e sangramentos – Identifique sinais de fratura, cortes ou hematomas graves;
- Não movimentar o idoso em caso de suspeita de fratura – Levantar alguém com dor intensa ou possível fratura pode agravar a lesão.
Se o idoso estiver consciente e sem lesões graves, ajude-o a levantar-se com segurança:
- Tente sentar o idoso no chão e colocar uma cadeira próxima;
- Coloque-se atrás do idoso, segurando firmemente a parte superior das calças ou o cinto com ambas as mãos, ajudando-o a levantar-se de forma segura;
- Uma vez em pé, sente-o para descansar e recuperar a tranquilidade.
Caso o idoso viva sozinho:
- Tenha sempre um telefone ao alcance;
- Use o telemóvel ou faça barulho para chamar ajuda;
- Mantenha-o aquecido com cobertores, roupas ou tapetes enquanto espera por assistência.
Se houver dor intensa ou suspeita de fratura, não tente levantar o idoso e chame imediatamente assistência médica.
Quando chamar ajuda médica em caso de queda
A intervenção profissional deve ser solicitada sempre que:
- Houver dor intensa ou incapacidade de se mover;
- Existirem fraturas visíveis ou deformidades nos membros;
- O idoso apresentar sinais de confusão mental, desmaio ou hemorragia;
- O acidente tiver ocorrido com múltiplas quedas ou em idosos com doenças crónicas.
Enquanto aguarda a chegada da ajuda, mantenha o idoso confortável, aquecido e monitorize sinais vitais básicos.
Sinais de alerta após a queda
Mesmo após conseguir levantar-se, é fundamental observar sinais de complicações:
- Dor persistente ou inchaço nas articulações;
- Dificuldade para caminhar ou equilibrar-se;
- Tonturas, náuseas ou fraqueza generalizada;
- Alterações da visão ou da memória.
A presença destes sinais exige avaliação médica, pois podem indicar lesões internas ou complicações de fraturas.
Medidas de prevenção no dia-a-dia
A prevenção é a melhor forma de reduzir o risco de queda no idoso. Algumas recomendações essenciais incluem:
Adaptação da casa
- Colocar corrimãos e barras de apoio em escadas e casas de banho
- Remover obstáculos do caminho
- Colocar fitas aderentes nos tapetes e pisos escorregadios
- Manter iluminação adequada, incluindo luzes noturnas
Calçado e roupa
- Usar sapatos com sola antiderrapante
- Evitar andar descalço ou de meias em pisos escorregadios
- Optar por roupas que não arrastem ou dificultem a mobilidade
Auxiliares de marcha
- Se necessário, utilizar bengalas, andarilhos ou outros dispositivos recomendados pelo médico
- Garantir que estão em bom estado e ajustados corretamente
Atividade física
- Praticar exercícios de equilíbrio e força, essenciais para a prevenção de quedas
- Caminhar regularmente ou participar em programas de exercício adaptados
- Começar sempre com aquecimento e aumentar gradualmente a intensidade
- Exercícios com olhos fechados podem aumentar a capacidade de equilíbrio, mas devem ser feitos com supervisão inicial
Saúde geral
- Consultar regularmente o médico, incluindo oftalmologista e especialista em medicina geriátrica
- Seguir uma alimentação equilibrada rica em cálcio e vitamina D
- Revisar medicamentos e avaliar se contribuem para desequilíbrios ou sonolência
A queda no idoso não é inevitável. Com medidas preventivas simples, atenção ao ambiente doméstico e acompanhamento médico regular, é possível reduzir riscos, preservar a independência e melhorar a qualidade de vida. Saiba mais em riscos do inverno: como evitar acidentes e quedas em idosos.
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