Deficiência em Portugal: obstáculos que surgem no dia-a-dia

Deficiência em Portugal: obstáculos que surgem no dia-a-dia

A deficiência em Portugal enfrenta barreiras arquitetónicas e sociais, desafios no emprego e avanços na inclusão e vida independente.

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A deficiência em Portugal continua a ser um tema de grande relevância social. O país tem demonstrado uma preocupação crescente com a equidade, mas enfrenta desafios estruturais e financeiros que dificultam a concretização plena dos direitos das pessoas com deficiência em Portugal.

De acordo com o Relatório do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos 2024, a realidade das pessoas com deficiência tem evoluído de forma positiva, ainda que de forma desigual. Portugal apresenta hoje indicadores mais favoráveis do que há uma década, especialmente nas áreas da inclusão escolar, do emprego e da vida independente. A taxa de atividade das pessoas com deficiência atingiu 76%, e a taxa de emprego 65%, aproximando-se da média europeia. Pela primeira vez, homens e mulheres com deficiência registaram igual taxa de emprego, o que demonstra avanços em matéria de igualdade de género. O número de trabalhadores com deficiência também aumentou no setor público (3,2%) e no setor privado (0,72%).

No entanto, persistem fragilidades significativas. O risco de pobreza e exclusão social entre pessoas com deficiência é de 21,1%, contra 13,8% na população sem deficiência.

 

Deficiência em Portugal: Barreiras à inclusão

A deficiência em Portugal continua marcada por barreiras arquitetónicas, sociais e comportamentais que dificultam a autonomia e a participação plena na sociedade.

Mobilidade e transportes

As dificuldades começam, muitas vezes, logo à porta de casa. A inexistência de rampas, passeios degradados e transportes públicos ainda com limitações de acessibilidade impedem a mobilidade independente. Apesar de avanços, como a adaptação de estações ferroviárias e a introdução de veículos acessíveis, a cobertura é ainda insuficiente fora dos grandes centros urbanos.

Acessibilidade digital

Num mundo cada vez mais digital, muitas plataformas e serviços online continuam inacessíveis a pessoas com deficiência visual, auditiva ou cognitiva. A legislação portuguesa transpôs a Diretiva Europeia de Acessibilidade Web, mas a sua aplicação plena está longe de ser atingida.

Inclusão social e laboral

O acesso ao mercado de trabalho é uma das maiores barreiras. Embora a Lei n.º 4/2019 tenha criado quotas de emprego para pessoas com deficiência, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades em adaptar postos de trabalho ou desconhecem os incentivos disponíveis. Projetos como a Operação de Emprego para Pessoas com Deficiência (OED), são bons exemplos do impacto positivo que políticas ativas podem ter na inclusão profissional.

 

O papel da legislação e das políticas públicas

Portugal tem vindo a reforçar o quadro legal que protege os direitos das pessoas com deficiência em Portugal, em consonância com a Convenção das Nações Unidas, destacando-se, nos últimos anos, as seguintes medidas:

 

A vida quotidiana das pessoas com deficiência: entre progressos e limitações

No dia a dia, muitas pessoas com deficiência enfrentam obstáculos como edifícios públicos sem acessos, escolas sem infraestruturas inclusivas ou linguagem discriminatória. As famílias e cuidadores desempenham um papel essencial, mediando frequentemente entre a pessoa com deficiência e os serviços de saúde, educação ou apoio social, mas também lidam com sobrecarga emocional e financeira, especialmente na ausência de redes de apoio comunitário eficazes.

Apesar de alguns avanços na acessibilidade, muitas zonas urbanas e edifícios públicos continuam fora dos padrões definidos pelo Decreto-Lei n.º 163/2006. A fiscalização insuficiente e a falta de sensibilização social contribuem para a exclusão involuntária.

Os obstáculos sociais podem ser ainda mais difíceis de superar do que os físicos. A perceção da deficiência continua, por vezes, associada à dependência, limitando a participação cívica e profissional. Campanhas de sensibilização e a valorização do contributo das pessoas com deficiência são essenciais para transformar mentalidades e promover uma sociedade mais inclusiva.

A criação e expansão do Modelo de Apoio à Vida Independente (MAVI) constitui um avanço importante, permitindo que pessoas com deficiência possam escolher o seu estilo de vida e contar com assistentes pessoais para tarefas quotidianas.

A construção de um futuro mais igualitário para quem tem deficiência é uma responsabilidade coletiva. Após ler o artigo da Sensicare, Deficiências motoras: 7 obstáculos comuns e soluções, descubra como, enquanto cidadã(o), pode contribuir para tornar a acessibilidade e a inclusão uma realidade no dia a dia.

 

Caminhos para uma sociedade mais inclusiva

Para garantir a plena concretização dos direitos das pessoas com deficiência em Portugal, é necessário consolidar uma estratégia nacional que envolva diferentes setores:

  • Educação: reforçar a formação da comunidade educativa e adaptar infraestruturas;
  • Emprego: promover incentivos à contratação e adaptar o ambiente laboral;
  • Saúde e apoio social: integrar serviços e simplificar o acesso a prestações;
  • Transportes e urbanismo: garantir acessibilidade universal em todo o território;
  • Tecnologia e comunicação: assegurar o cumprimento da acessibilidade digital.

As políticas públicas devem ser acompanhadas de investimento e fiscalização efetiva, garantindo que as leis não ficam apenas no papel. O envolvimento das famílias, cuidadores e organizações da sociedade civil é igualmente decisivo para construir uma comunidade mais justa e participativa.

 

A defesa dos direitos das pessoas com deficiência em Portugal tem registado progressos significativos, mas o caminho para a inclusão plena continua a ser longo. As melhorias verificadas no acesso ao emprego, na vida independente e na participação social contrastam com as persistentes desigualdades económicas, barreiras arquitetónicas e limitações de mobilidade.

A deficiência não deve ser vista como uma limitação, mas como parte da diversidade humana. Promover o respeito, a acessibilidade e a igualdade é fundamental para construir um país onde todos possam viver com liberdade e dignidade.

 

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